jeudi 15 octobre 2009

O Nosso Primeiro Passeio de Carro








Ao meio-dia lá estava à porta do hotel para ver chegar o meu Tino! A pé? A cavalo? De bicicleta? De patins? Eu sabia lá! De repente oiço um carro buzinar e, para meu espanto, na minha frente, um pequeno descapotável de dois lugares, com um belo Tino ao volante! Entrei, sentei-me a seu lado, e imadiatamente senti o seu perfume. Era evidente que ele tinha ido a casa tirar o seu fato e vestir uns “jeans” e uma camisa muito desportiva aberta até ao umbigo, a mostrar os seus salientes peitorais cobertos de espessos negros cabelos, ligeiramente encaracolados. Ele arranca , dizendo-me que me ia mostrar rapidamente Génova, de carro, que tinha tirado a tarde para estar comigo, e que iríamos almoçar a Portofino. Nunca tinha ouvido falar de Portofino! Assim eu iria acrescentar mais uma cidade italiana à minha lista!

O pouco que ele me mostrou de Génova já eu tinha visto quando do meu passeio a pé. Ele acende um cigarro e oferece-me também um, metendo-o entre os meus lábios. Abrandou para acender o seu cigarro, e depois passou-me o isqueiro. A primeira fumaça, engulindo fortemente o fumo, fez-me tossir violentamente e quase vomitar! Era um cigarro “curto e grosso”, sem filtro, recheado dum tabaco quase preto. Pedi-lhe desculpa e atirei o cigarro fora e acendi um dos meus Marlboro, passe a publicidade gratuíta! Ele, por sua vez, pediu-me desculpa, que a partir de agora ele passaria também a fumar essa mesma marca, que era muito mais elegante! O carro entrou numa estreita estrada engalanada com velhas árvores de ambos os lados, e ele começou a relatar-me a história dessa velha estrada que ele fazia muito frequentemente. Com uma grande gargalhada, disse-me que ia muita vez a Portofino para engatar um gajo para "chiavare"! Gostei dessa sua atitude muito assumida e disse aos meus botões: Hoje não precisas de ir tão longe, tens aqui um mesmo a teu lado! Ele ligou o seu rádio para alagar de música napolitana aquelas belas paisagens que nos levariam a Portofino, do qual nunca tinha ouvido falar! Ele falava ininterruptamente mas sem nada me contar da sua vida ou da sua pessoa, além de gostar de ir a Portofino engatar um gajo de vez em quando, e que não podia convidar-me a sua casa, que os seus pais eram muito católicos e retrógadas. Eu não fazia a mínima idéia quais as suas origens, nem tão-pouco quais eram os seus estudos ou qual a sua profissão! Mas duma coisa estava certo: era endinheirado e não se ralava com despesas.!

Abruptamente ele ordena-me:

- Look down! That’s Portofino!

Olhei e fiquei deslumbrado! Como podia eu nunca ter ouvido falar daquele pequeno paraiso entalado entre a terra e o mar, lá em baixo à nossa espera?

A Bela Génova Toda a Meus Pés!













Na manhã seguinte, depois duma boa noite de repouso, tomei um banho e vesti-me de lavado. Agarrei nos trapos que acabara de despir, lavei-os na tépida água do meu banho, e estendi-os sobre a barra da cortina sobre a banheira, a secar. Desci ao rés-de-chão, onde tinha visto na véspera uma pequena casa de jantar. Estava tudo a postos. Quando entrei fui saudado por uma bonita rapariga com um muito cantante “buongiorno”! Ela apontou-me uma mesa mesmo ao pé da janela, como sempre foi tão do meu agrado. Rapidamente foi-me servido um pequeno-almoço realmente muito pequeno: dois “panini”, um pratinho com bolas de manteiga e um pouco de marmelada, assim como um jarro com café e outro com leite. Regalei-me, enquanto, através da janela, procurava familiarizar-me com o movimento desse grande largo frente à estação dos combóios, que tinha um nome igualmente a mim muito familiar: Cristóvão Colombo, com sua imponente estátua ali mesmo ao meio do largo em frente dos meus olhos! Depois de ter saboreado lentamente o meu pequeno-almoço, acendi um cigarro, continuando a observar o tráfego. Depois levantei-me e pedi para fazer uma chamada em Génova. Pediram-me o número e depois passaram-me a chamada para um telefone dormitando ao canto do balcão. Peguei no telefone e, em Inglês, pedi para falar com o Tino. Tinha sido o Tino em pessoa quem tinha respondido. Disse-lhe que era o Robi, e que estava instalado num pequeno hotel na Piazza Cristoforo Colombo, mesmo em frente da Estação dos Caminhos de Ferro. Ele, muito excitado, disse-me para aguardar, que ele morava perto, e que vinha já dar-me um abraço. Aguardei no pequeno hall de entrada, fumando outro cigarro e folheando uma revista italiana que estava pousada em cima duma pequena mesa coberta com os jornais do dia. Ao mesmo tempo olhava de vez em quando a controlar as entradas e saídas . Do Tino só tinha visto um foto que ele me tinha enviado, esperado que o caso com o Marco, em Roma, não se repetisse. Nessa foto que guardara do Tino, ele mostrava-se alto, com um belo sorriso. Subitamente, alguém se aproxima de mim pé ante pé, e pergunta-me se eu era o Robi. Disse que sim e ele apresentou-se como sendo o Tino. Olhei-o uns instantes e fiquei encantado com a pessoa. Ele era ainda mais cativante do que na fotografia, e tinha uma voz que era como música nos meus tímpanos. Levantei-me, apertei-lhe a mão, e convidei-o a sentar-se na cadeira a meu lado. Ele acedeu, sentando apenas uma nádega na beirinha dessa cadeira, dizendo que tinha de se apressar, que o seu trabalho o aguardava, que já estava um nadinha atrasado. Pousou a sua bonita mão muito morena sobre o meu joelho, dizendo-me que estava encantado de me conhecer! Os seus olhos diziam-me em meias palavras que eu também lhe agradava, quanto mais não fosse, fisicamente! Ele agradava-me dos pés à cabeça, e a sua voz enleava-me como um limo em torno dum nenúfar. A sua sensualíssima voz dizia-me em Inglês: “nice to see you”! Os seus olhos muito negros e pestanudos diziam-me em Italianíssimo: “te voglio chiavare”! Desculpou-se, que não podia ficar muito tempo comigo, que eu fosse dar uma volta por Génova para conhecer um pouco essa bela cidade italiana, que depois estivesse ali à entrada do hotel por volta do meio-dia, que viria buscar-me para almoçarmos juntos. Passou as polpas dos seus dedos pelas suas espessas sobrancelhas, depois acariciou aquela sua boca muito vermelha e carnuda, olhando-me já com manifesto desejo de “chiavare” e, levantando-se, pedindo-me para estar no hotel, para me vir buscar ao meio-dia, e afastou-se, saindo pela porta que dava para a Piazza. O seu andar, a sua estatura, tudo nele era um convite a irmos para a cama, nem que fosse em jejum! Antes de sair, voltou-se, enfiou os seus longos dedos nos seus belos caracóis de azeviche, e atirou:

- Ciao! Ci vediamo presto!

Acenei-lhe um um modesto adeus, mas com os olhos certamente que lhe disse: Despacha-te! Quero-te nos meus braços!

Saí, fui dar os bons-dias ao Cristóvão Colombo, e depois calcorreei Génova a fazer horas até ao meio-dia. Eu olhava as ruas, os prédios, as montras, tudo parecia dizer-me: Felizardo! Encontraste enfim o homem que te vai valer toda a tua viagem pela Itália!

mercredi 14 octobre 2009

A Inesquecível Viagem de Combóio











Na continuação da minha viagem pela Itália, em Roma, apanhara aquele combóio que me levaria a Pisa, como estava previsto. Nesse combóio instalei-me numa cabine onde se encontrava já um jovem muito ocupado com a sua leitura. Sentei-me no lugar mesmo na sua frente. Várias vezes ele levantou os seus olhos dos seus papéis para me observar. Meti conversa com ele e daí vieram muitas pequenas confissões. Ele morava em Torino e trabalhava não me lembro onde, e viajava todos os dias quatro horas de Torino até ao seu emprego, e outras quatro do seu emprego até aos braços da sua mamma. Moralidade da história, era durantes essas duas longas viagens diárias que ele fazia tudo. Andava a fazer um curso por correspodência e só não lavava a roupa e a engomava durante essas viagens porque a mamma fazia-lhe essas coisas todas. Que a sua mãe estava velha, mas que ele não queria metê-la num hospício, que queria que ela acabasse os seus dias na sua casa! Compadecido, perguntei-lhe como, quando, e onde, ele fazia amor com alguém. A minha pergunta fez ricochete! Ele pousou os cadernos com que fazia os seus estudos por correspondência, inclinou-se vagarosamente na minha direcção e, com um sorriso muito insinuante, atirou:

- No combóio! Com rapazes bonitos como você!

Aparei a proposta! Ele era tão jovem e tão belo, tinhas umas mãos de pianista e de poeta, uns olhos de tal modo alagados de desejo, que não resisti à minha sempre pronta vontade de ajudar os outros a resolverem certos assuntos que estão ao meu alcance de o fazer. Na cabine só estávamos nós! Olhei através da janela que dava para o corredor para ver se haviam testemunhas, e como não havia viva alma, agarrei-lhe na cabeça e enchi-lhe aquela suplicante boca de beijos. Ele levanta-se alvoroçadamente, corre as cortinas das janelas que davam para o corredor, trancou a porta, e atirou-se a mim como um esfaimado tigre sobre uma pobre gazela! Desabotoou-me o mais que poude e serviu-se do meu corpo o mais que poude! Sugou-me o “cazzo” como há muito ninguém o tinha feito! O desejo de o penetrar não tardou a fazer-se sentir! Baixei-lhe as calças, empurrei-o para cima dos seus cadernos e galguei em cima daquele corpo ávido do meu! Ao penetrá-lo ele gemia em surdina:

- Mamma mia, mamma mia! Ancora, ancora! O bisogno de cazzo! Fottere, fottere! Chiava, chiava me!

Não percebi uma palvra mas compreendi que o pobre estava ainda mais esfomeado de gozo sexual do que eu! Depois de eu ter ejaculado ele soergue-se e senta-se no banco. Descubro que ele tinha um “cazzo duro e grosso”, e tive vontade de petiscar. Ajoeilhei-me na sua frente para o “santo ofício” e desejei aquele seu belo “cazzo” dentro de mim. Quando desci as calças e me voltei, ele não se fez esperar! Foi a minha vez de lhe repetir as palavras que dele aprendera: “chiava, chiava, amore mio”! E foi assim que, pouco a pouco, fui aprendendo o Italiano!

Depois deste dar e receber recompusémo-nos, abrimos as cortinas e destrancámos a porta. Sentámo-nos um em frente do outro, conversámos sobre o sexo, o amor, a solidão, e certos outros problemas da vida. Repentinamente o combóio abranda e pára. A porta da nossa cabine deslizou suavemente para deixar passar um tipo que se veio sentar na nossa cabine. Passados uns minutos de tranquilidade, aparte os gritos dos vendedores ambulantes no cais a proporem as suas mercadorias aos passageiros que se debruçaram às janelas do corredor, o combóio arranca e, Santo Deus! Eu acabara de perder Florença! Era nesta mesma paragem que eu devia ter descido! Entre os dentes, roguei uma série de pragas em Português, mas tive de me conformar! Tinha aprendido a minha lição! Tinha agora que ter cuidado e descer na próxima paragem: Pisa! Eu queria absolutamente ver aquela torre inclinada que tanto me lembrava uma bela erecção! Ele, “il amore de sua mamma”, mergulha novamente nos seus estudos e eu mergulhei os olhos nas foscas paisagens que velozmente desfilavam para além daquele vidro embaciado. Estava furioso comigo próprio por ter perdido Florença! O combóio seguiu a sua longa viagem e, a certo ponto, “il amore de sua mamma” levanta-se, sai, e faz-me sinal para o seguir. Obediente como sou quando a curiosidade me aflora, segui-o! Ele conduziu-me até ao canto do W.C. ao fundo do corredor, abre a porta, empurra-me, fecha a porta por dentro, e implora-me: “chiava me ancora”! Continuei a não compreender o Italiano mas, quando ele desceu as suas calças, percebi que queria outra remessa! E foi ali, contra o lavatório, frente à enfarruscada janela do W.C., que novamente ele me gemeu: “ancora, ancora, chiava, chiava me”! “Chiavei-o” até vir a mulher da fava-rica e, depois de me ter vindo, preparei-me para sair mas, “il amore de sua mamma” quiz pagar-me na mesma moeda! Ensaboou ligeiramente o seu “dono di Dio” e, brutalmente, vira-me e enfia-me a sua muito bem aviada dose de “cazzo duro e grosso” nas entranhas! E foi obra! O seu engenho parecia nunca mais parar, como se fosse, talvez, a última vez que ele entrava tão ferozmente dentro de mim! Eu via a paisagem correr não sei para onde enquanto eu realmente gozava imensamente aquela súbita intrusão! O combóio de novo abranda, e eu entro em pânico! Não me digam que a próxima estação era Pisa! Digo-lhe que se despache, que tinha que descer, mas ele não ouvia a minha súplica! O combóio parou, certamente subiram e desceram passageiros, mas “il amore de sua mamma” não tinha ouvidos, só tinha aquele vai e vem dentro de mim! O combóio de novo arrancou e eu digo a mim mesmo que a Torre de Pisa tinha caído de pantanas! Que nunca chegaria a ir empurrá-la com a ponta dos meus dedos, como tinha programado, para ver se ela, após tantos séculos de erecção, finalmente se vinha e caía para baixo, como todas as torres de Pisa que me passaram pelas mãos! Resignadamente, deixei aquela torre de Pisa que me rasgava por dentro fizesse o seu trabalho! Que se lixe! Morra marta, morra farta! Talvez voltasse um dia a Pisa para ver se a sua lendária Torre ainda continuaria de pé!

Depois de nos termos esvaziado uma vez mais, subimos as calças, apertámos os cintos, e saímos. Ao abrir a porta, mesmo emfrente, esbarrámos com um distinto cavalheiro muito ocupado a ler o seu jornal. Esse cavalheiro, ao ver dois homens saindo do W.C. un atrás do outro, depois daquele espalhafatoso orgasmo, olha-nos perpelexo, mas rapidamente retoma a sua leitura. Era talvez algo de normal nessas viagens de combóio por essa Itália toda! Voltámos à nossa cabine e o outro tal passageiro tinha descido ou mudado de lugar. Apreensivo, olhei para cima da rede onde tinha posto a minha bagagem, para ver se ela não tinha também descido em Pisa. Ela lá estava, silenciosa e conformada com a sua sorte! Sentámo-nos novamente em frente um do outro, e eu queixei-me que, por causa dele, tinha perdido duas belas cidades italianas. Ele pareceu orgulhoso dos estragos que me tinha causado, mas que não lamentasse, que eu o tinha feito tão feliz! Que era tão raro ter uma viagem tão emocionante!

Chegados a Génova, depois de me ter despedido de “il amore de sua mamma” sem qualquer troca de moradas, ele continuou a sua viagem e eu desci com as minhas armas e bagagens. Saí da estação, ali na Piazza Cristoforo Colombo e, logo na minha frente, um pequeno hotel oferecendo-me a sua porta como alguém de muito caro a estender-me os seus braços! Entrei, pedi um quarto por uma noite. Subi, escondi os meus pobres haveres no guarda-roupa, e desci em busca dum pequeno restaurante onde me pudesse restaurar! Não recordo o nome do restaurante nem a ementa! Náo recordo a data nem as horas a que depois, estafadíssimo, me deitei naquele fofo colchão de sumaúma! Recordo apenas que tudo o que me ficava desse “amore de sua madre”, para o resto da minha vida, era apenas a excitante recordação daquele “cazzo duro e grosso dentro di me”! Adormeci pensando que tinha talvez pago mais um pouco da minha sincera promessa ao meu tão querido irmão Alberto! Que ele repouse em Paz!

R O M A - Città Chiusa !!!















Depois deste triste incidente em Nápoles, disse “ciao” à La Mamma e apanhei um combóio para Roma, onde tinha um belo correspondente que me mostraria essa bela e grande cidade europeia! Como tinha o meu “carnet” de bilhetes que tinha comprado em Tel Aviv, uma espécie de livro de cheques para pagar as minhas viagens de cidade em cidade, a próxima prevista, segundo os meus cáculos, era essa metrópole do turismo internacional. A viagem foi curta e decorreu sem grandes acontecimentos. Chegado a Roma, depois de ter depositado a minha mala na “consigne” da imensa estação ferroviária, deslumbrado com todos aqueles arqueollógicos vestígios desses tempos românicos, como não sabia como chegar à morada de Marco, o meu belo romano que vira na fotografia que ele me enviara numa das nossas poucas cartas da nossa curta correspondência em Inglês, como tinha a sua morada, depois duma pequena refeição num pequeno Café de esquina, apanhei um táxi que me levaria à descoberta desse belo Apolo que, decerto, me aguardava de braços abertos, pois que lhe tinha telefonado de Nápoles na véspera. O táxi, conduzido por um chofer muito tagarela que me fazia aprender o Italiano à força, levou-me por essa Roma fora a descobrir através dos vidros das janelas do seu veículo, essa maravilhosa cidade de tons róseos que me fascinava. Entrámos por fim num arrabalde, belos velhos subúrbios do centro dessa cosmopolita cidade carregada de História! O chofer, ao entrar numa estreita rua mal afamada, diz-me que estamos a chegar. Por fim parou em frente duma larga arqueada pesada porta que parecia pertencer ao Coliseu de Roma. Desci, paguei a soma que me foi exigida, disse “ciao” ao palrador de chofer, e preparei-me para cair nos braços do meu belo Apolo à minha espera lá em cima daquele soturno segundo andar direito! Subi todos aqueles degraus de madeira que gingavam sob o meu peso e, chegado a esse segundo andar direito, depara-se-me uma velha porta de abadia, com um cordel com uma argola, a sair por um pequeno buraco feito no sólido mogno. Puxei a argola e oiço, vindo lá de dentro, ao fundo, um som que me lembrou os sinos da Torre dos Clérigos! Momentos depois oiço uma voz muito abafada que me parecia vinda do além, perguntado quem era? Disse que era o Robi! Robi era o nome com o qual eu assianava todas as minhas cartas para os meus muito vários correspondentes espalhados por esse vasto mundo! A porta, rangendo ruidosamente, abre-se numa pequena greta através da qual eu vislumbro uma grande penca entre dois olhos muito pitosgas, a cavalo em cima de dois lábios muito finos e secos, colados às gengivas. Pensei que devia ser o bisavô de Marco. A porta escancara-se e, na minha frente, uma velha múmia que me murmura:

- Entrate!

Entrei e fui conduzido a uma pequena sala que mais parecia uma capela dos tempos da Soror Mariana! Haviam santinhos por toda a parte sobre as paredes e velas ardendo num castiçal sobre uma velha cómoda estilo vitoriano onde se empoleirava um enorme carrancudo Cristo, olhos postos no tampo dessa cómoda carregada doutras pequenas estatuetas de santos redentores. Ele aponta-me uma cadeira de braços partidos, em outras palavras, de braço ao peito, onde cautelosamente me instalei, temendo algum buraco que me engulisse todo inteirinho. Olho para aquele se Deus quiser, muito em breve cadáver, e pergunto-lhe se podia falar com o Marco. O cadáver põe os olhos no chão repleto de saintinhos caídos das paredes e, a medo, sussurra:

- Sono io Marco!

Jesus Cristo! Cairam-me os colhões ao chão coberto de cotão e santinhos de esfumadas auréolas! Ele implora-me, embaraçadamente, que o desculpe! Que andava já há muitos anos a enviar fotos dos seus belos e jovens correspondentes, a outros correspondentes, que era assim que ele mantinha correspondências amorosas com belos machos, para se enganar a si próprio, e sentir, por alguns vagos instantes, que ainda era jovem, amado, e desejado! Que, quando ele era jovem, tinha sido muito belo! Amante da sua própria imagem! Hipocritamente, para mudar de conversa, perguntei-lhe se podia fumar. Ele disse que sim, e foi buscar um cinzeiro. Pretendi que tinha deixado os meus cigarros no combóio, se ele me podia dar um cigarro? Ele, nervosamente, disse-me que não fumava, que nunca tinha fumado na sua vida! Perguntei-lhe, então, se havia ali perto uma loja onde eu pudesse comprar um maço de tabaco. Ele, percebendo a minha artimanha, diz-me, pondo os seus tristes olhos no chão, que bastava descer, virar à esquerda, atravessar a rua, que logo veria uma vitrina com cachimbos e óculos de sol, que era ali! Que também vendiam cigarros!

Desci e virei à direita, procurei uma boca de Metro, apanhei um combóio, desci em cada estação com nomes sugestivos, como Coliseu, Piazza d’Espagna, e tantas mais! Vi museus, catedrais, estátuas, jardins públicos, fontes, ruas e mais ruas! Deambulei como um autómato e, por fim, apanhei um combóio para Génova! Quanto ao Marco, nunca mais voltei! Nem adeus lhe disse! Hoje, tantos anos passados, arrependido, peço-lhe perdão pela minha covardia, a minha indiferença perante a sua solidão que é agora também a minha! Hoje, na minha casa, não tenho santinhos por toda a parte, tenho recordações de todas as cores, e um computador no qual faço reviver todo o meu passado, tentando assim esquecer que também eu, como ele, agora procuro fazer-me amado pelo que fui, pelo muito que vivi, pelo muito que ri, que sofri, que amei, que perdi!

mardi 13 octobre 2009

Perigos Nocturnos
















Durante esses três dias visitei a cidade e planeei dar um salto até Capri, essa ilha que desde que lera um livro de Axel Munthe, sonhara conhecer! Entrei numa agência de viagens e indaguei o preço duma ida e volta a essa maravilhosa ilha que me acenava lá ao longe. O preço era 47 dollars! Os meus bens eram apenas os meus bilhetes de combóio para visitar Roma, Florença, Pisa, Génova, Milão, Torino, Verona, e Veneza. Depois saltava para a Suiça para visitar Robin em Genéve e, daí, Paris, Madrid, e Lisboa. Os poucos dollars que tinha comigo andavam sempre dentro duma das meias que eu calçava, apertados por uma liga. Tive vergonha de perguntar onde era a retrete e decidi voltar no dia seguinte para comprar a minha tão desejada visita a Capri!

De regresso à Pensão La Mamma saquei 47 dollars da peúga e meti-os no meu porta-moedas, assim como uns cobres para ir tomar m café à noite na cidade. Saí para ver Nápoles “by night” e fui-me sentar na mesa duma esplanada a ver passar as belezas locais. Passaram e repassaram, para todos os gostos. Talvez por eu ter um arzinho de turista, comecei a ser notado por alguns passantes que me lançavam ostensivos prometedores sorrisos. Como tinha passado cinco dias no barco em jejum, o meu “piccolino” começou a pedir-me papa! Estava mesmo a babar-se de gula! Como propostas directas não me foram feitas, e como no cinema em frente estavam a exibir o filme “Exodus”, resolvi dar uma volta pela “piazza” e depois entrei no cinema para rever esse filme que já tinha visto em Jerusalem com o Melo e, depois, caminha. Sentei-me numa fila que estava quase vazia. Durante a projecção dos documentários, dois jovens vieram sentar-se ao meu lado, como se não houvessem outras cadeiras desocupadas na sala. Olhei-os de esguelha, e verifiquei que eram dois “pêcegos” quase a cair da árvore. Eram dois rapazes muito jovens, aí dos seus dezanove anos, bonitinhos e muito comunicativos. Ao entervalo levantaram-se para dar uma volta e tomar uma bebida no bar, e eu segui-os. O meu “piccolino” começava já a tranbordar-me dos elásticos. Uma vez mais avaliei qualidade da mercadoria, e eles eram realmente uns pêcegos muito papáveis. Quando a campaínha tocou voltámos aos nossos lugares, e pensei que, talvez, desta vez, eles fossem ocupar outros lugares. Enganei-me! Vieram sentar-se novamente junto de mim, e o mais próximo de mim começa descaradamente a roçar a sua perna pela minha. Pensei com os meus botões que essa técnica devia ser internacional. Correspondi ao afago e, docemente, uma mãozinha muito leve começou a subir-me pela coxa acima. Chegado ao meu “piccolino”, essa mão amassou-o quase durante toda a duração desse filme, que era realmente muito longo. Quase que não vi o filme! Não conseguia concentrar-me! A minha idéia e os meus olhos estavam plantados nesse jovem que parecia apreciar as minhas dimensões. Enfim, terminado o filme, levantam-se, saem do cinema e tomam ali um caminho à beira-mar, na direcção do Castel Nuovo, lá ao fundo, quase na orla das ondas. Tanto olharam para trás para verem se eu os seguia que resolvi fazer-lhes a vontade! O meu “piccolino” estava mesmo faminto dum jovem e fresco “asino”!

Eles só pararam perto das torres do Castel Nuovo e aí, tomaram conta da situação e atiraram-se à presa com unhas e dentes! Eu tinha ali dois “asinos” na minha frente e já não sabia qual deles visitar primeiro. Um deles, o mais ousado, depois de ter arejado um puco o meu “piccolino” que já estava mais do que “pieno”, baixou as calças e pôs o seu palpitante “ano” à minha disposição! “Piccolino” perde as estribeiras e arranca para essa tão ansiada viagem através do húmido breu desse “intestino napolitano”! Depois de ter feito o meu trabalho, arrumo o “piccolino” no seu lugar e, enquanto me recompunha, espantado, vejo esses dois jovens afastarem-se sem me dizerem um adeus! O pior foi quando cheguei ao meu quarto na pensão La Mamma e me despi para ir para a cama. Despejei os bolsos das calças e, ao abrir o meu porta-moedas para ver se tudo estava em ordem, descubro com um grunhido de raiva que os meus 47 dollars que lá tinha posto para ir na manhã seguinte a essa Agência de Viagens comprar o meu ida-e-volta para Capri, os A7 dollars tinham-se evaporado! Desde esse dia, em Nápoles, nunca mais tive confiança em ninguém, e andava sempre com as mãos nos bolsos a aconchegar o meu porta-moedas para ver se ele não se constipava!

Mangiare spaghetti, cazzo!










A pensão era muito modesta. O minúsculo quarto, só com uma cama, uma mesa de cabeceira, uma pequena cómoda dos tempos das nossas avós, e uma estreita janela que dava para essa movimentada e barulhenta rua, era bastante aprazível! A patroa era uma senhora já duma certa idade, muito obesa, a quem chamavam “La Mamma”! La Mamma ficou muito preocupada com a minha magreza e pregou logo comigo na casa de jantar, dizendo-me que eram horas de rancho! Pediu-me que escolhesse uma mesa, que voltaria já! Escolhi uma pequena mesa no vão da janela, para me habituar aos ruidosos sons bem napolitanos que me vinham da rua! Momentos depois La Mamma regressa com uma grande pratalhada de spaghetti a fumegar na sua mão, atira esse lauto manjar sob os queixos, e ordena

- Mangiare spaghetti, cazzo! Ottenere grassi!

Não compreendi exactamente, mas depreendi que ela queria que eu engordasse um bocadinho! Enquanto fazia a vontade à La Mamma, ela sentou-se à mesa comigo e indagou quanto tempo eu ficava e se queria meia-pensão ou pensão completa. Disse-lhe que ficaria três dias e que queria pensão completa, pois o seu spaghetti estava uma delícia!

Pensão "La Mamma"













Pedi então ao miúdo que me indicasse uma pensão ali perto do porto. Ele pega na minha mala e, no seu muito musical Napolitano, me pede de o seguir. Ele não andava, corria! Tive de acelerar o passo para o não perder de vista. Logo à saída do porto ele enfia por uma estreita viela muito movimentada, onde, como em Lisboa, as janelas estavam todas enfeitadas com roupa estendida a pingar sobre as nossas cabeças. Repentinamente estacou em frente duma estreita porta e procurou dizer-me que era ali a pensão! Que esperasse um bocadinho, que ele ia lá acima ver se haviam vagas. Enquanto aguardei o seu regresso, pus um pé em cima da minha mala para a proteger de algum roubo, pois que a reputação de Nápoles que me tinha chegado aos ouvidos, não era mesmo nada tranquilizadora. Acendi um cigarro e pacientemente aguardei os resultados. Entretive-me a estudar a fauna que passava rua abaixo rua acima, e apercebi-me que a maioria das pessoas que por mim passavam e me olhavam, eram certamente prostitutas e prostitutos a quererem fazer-me feliz por uma hora, a troco duns trocos. Ignorei as ofertas e apaguei a minha beata na ombreira da porta. O miúdo das malas desce a correr e fez-me compreender que havia vaga, que podia subir. Ele sobe à minha frente até ao primeiro andar, e abre uma porta muito pesadona, do lado direito do patamar. Somos recebidos por uma senhora que me mostra o caminho ao longo do corredor, para o meu quarto. O meu italiano era paupérrimo, mas, mesmo assim, compreendia e fazia-me compreender. O puto depôs a minha mala no meu quarto e estendeu-me a mão. Não para se despedir de mim, mas para o que ele bem merecia, uma boa gorjeta!