samedi 11 février 2012

A Plateia


Esta foi a referância que a revista Plateia fez à minha particippação no filme Encontro Com a Vida.

Encontro Com a Vida


Se eu, como pioneiro da RTP, depois de ter começado uma carreira como actor de cinema, ao lado de Rogério Paulo, no filme de Arthur Duarte "Encontro Com a Vida", não tivesse deixado Portugal, hoje seria provavelmente bem conhecido, pois que o Arthur Duarte voltou a contactar-me para fazer outro filme com ele, mas o resto do mundo chamava por mim, e eu fui por esse mundo fora!

D. João V.


Até um retrato de D. João V. que fiz em Mafra, quando eu tinha 14 anos, que esteve exposto numa das paredes da Biblioteca Municipal no Convento durante 42 anos, se encontra agora encafuado numa gaveta, desde que o Director da Biblioteca, o senhor Assunção, deixou este mundo!

O meu D. João V. também incomodou alguém que, provavelmente, nem sequer dois riscos feitos a preceito é capaz de fazer!

Ser Conhecido em Portugal


Resta-me agora continuar a minha penitência, no sentido de tentar ser conhecido em Portugal, pois que cada vez que tento dar nas vistas levo sempre com a porta na tromba! Como quando daquela entrevista que concedi à RDP terem recusado passar um poema meu dito por mim, o "A Pressa", num singular casamento da Poesia com a Housemusic! Assim como, todos os Editores que contactei, afim de publicar o meu livro de memórias "Tudo em Pratos Limpos", me dizerem que isso não interessa ninguém em Portugal, porque eu não ser "conhecido"! Ora se para se ser conhecido em Portugal é necessário que saibam que eu existo e que sou dono dum vasto espólio!

Por obra e graça do Espírito Santo, a Biblioteca Municipal de Cascais deram por mim e fizeram um exposição dos meus desenhos! Não sei se esse evento venha a ser o fim do princípio ou o princípio do Fim!

O Acidente


Tudo na vida tem um começo e tem um fim. A vida é uma longa ou curta peça de Teatro. Umas vezes comédia, outras vezes dum acerbo dramatismo, mas um dia o pano terá que cair! Foi o que me ia acontecendo no dia 8 de Junho de 2011, às 15.30, em Meudon, quando fui fazer as compras para o jantar. Antes de atravessar a rua, na passarela, nos semáforos, aguardei que o senhor encarnado se fizesse verde, para eu atravessar a rua sem correr grandes riscos, mas, repentinamente, senti algo que esbarrou com a minha perna direita e, o que quer que fosse, foi tão rápido, que nunca saberei ao certo o que realmente se passou! Na minha memória, depois do tal "senhor encarnado" nos semáforos, a imagem seguinte que retive, foi eu estar numa maca, dentro duma ambulância, e ao abrir os olhos vi o belo rosto dum jovem bombeiro que tentava reanimar-me. Foi ele que me explicou o que se tinha passado:
Eu tinha sido colhido por uma mota, caído de costas, aberto o cotovelo direito, e uma fractura do crânio.
Depois dos primeiros socorros fui conduzido ao Hospital Becler, em Clamar, tendo antes telefonado ao Pat para que ele me viesse buscar.

Durante o trajecto, continuando a prestar-me os primeiros socorros, pondo pensos no meu cotovelo, cabeça e perna direita seriamente esfacelada, esse zeloso bombeiro explicou-me o que se tinha passado. Eu tinha sido colhido por uma mota, mas o motorista tinha seguido viajem sem me ter prestado os tais primeiros socorros. Que tinha sido um transeunte que tinha chamado os bombeiros, e que eu estava a ser conduzido ao hospital para mais eficazes hospitalares atenções !

Chegado ao hospital, prisioneiro da minha maca, nas Urgências, aguardei a minha vez de ser atendido.
Entretanto Pat tinha chegado e, colado à minha maca, muito preocupado, indagava acerca do que se tinha passado. Expliquei-lhe o melhor que pude, segundo o pouco que eu recordava. Fomos interrompidos por um enfermeiro que me veio buscar para me levar a uma dependência onde três médicos me aguardavam impávidos. Uma das médicas começou então as suas investigações. Cuidadosamente pensou as largas chagas na minha perna direita, pensou o meu crânio, e pôs-me dois pontos de sutura no meu cotovelo direito! Isto feito, informou-me que eu teria de esperar oito horas, antes de poder fazer um scanner para mais completas verificações!

Em baixo, numa espaçosa dependência muito escura, divida em pequenos espaços por uma cortina, vários acidentados aguardavam nas suas macas o momento de serem chamados para serem observados pelo scanner. Durante oito horas ali permaneci sem qualquer assistência, uma bebida, um afago, agredido pelos gritos de dor dos outros acidentados, meus vizinhos. Durante essas infinitas oito horas senti-me como um objecto ali posto de parte, não como um ser humano carente de atenções! Senti-me lixo à espera de ser despejado!

Às tantas, aparece-me, como caído do céu aos trambolhões, uma criatura doutros planetas que, sem me dizer uma palavra, me empurra corredores fora, e me abandona, sem qualquer informação, a um canto dum dos muitos corredores que tínhamos atravessado! Aguardei ali, possuído duma angústia asfixiante, até que outro marciano me veio buscar e me empurrou para dentro da dependência onde se encontrava o scanner, onde, igualmente, outro marciano rindo às gargalhadas duma anedota que o seu assistente lhe tinha contado, me enfia no scanner sem me dirigir uma palavra! Fiquei chocado com aquele tipo de serviços hospitalares onde os pacientes eram coisas e não pessoas!

Depois do scanner reconduziram-me ao meu buraco escuro e, uma vez mais, sem uma palavra, um sorriso, fui novamente abandonado sozinho com a minha fome, a minha sede, o imenso desejo de acender um cigarro, e, sobretudo, o pavor de ter sido ali esquecido para todo o sempre!
Horas depois, um médico, infinitamente humano e atencioso, me veio falar, perguntando como me sentia eu, que o scanner não tinha acusado nada de grave, e que eu podia ir para casa. Dito isto ele entrega-me um relatório dos meis primeiros socorros, desejando-me um bom restabelecimento. E que se eu tivesse dores durante a noite, tomasse uma grama de Doliprane todas as oito horas. Com um alívio imenso telefonei ao Pat, pedindo-lhe que ele me viesse buscar logo que pudesse. Era quase uma da madrugada!

Foi quase correndo que subi as escadas que levariam à entrada das Urgências, onde eu poderia enfim respirar um pouco de ar menos bafiento e fumar um cigarro! Chegado lá fora apercebi-me que eu não tinha cigarros comigo. Ansiosamente aguardei a chegada do Pat para que ele me fornecesse um desses diabólicos cigarros que matam, mas que, quando eu era miúdo, nos gigantescos cartazes por toda a parte em Lisboa, um belo mancebo sobre um imponente cavalo, apertando um belo cigarro entre os grossos lábios, ostentava em grandes letras: « Para ser Homem tem de fumar Marlboro ! »
Mal Pat chegou pedi-lhe um cigarro, mas ele também não os tinha com ele. Como ali à porta vários jovens médicos praticantes fumavam, perguntei se algum deles me podia dar um cigarro, mas fui totalmente ignorado. Continuava a ser uma coisa, não um dos seus semelhantes!

A viagem de regresso a casa foi rápida, e mal subi os degraus que me separavam dos meus malditos cigarros, cai-lhes desalmadamente em cima, enquanto Pat preparou um bom café e umas sandes.
Depois dumas trocas de palavras e de cigarros, fomo-nos deitar. Cada qual na sua cama, no seu quarto, nas suas dúvidas e angústias!

Mal afundei a face na minha almofada, rapidamente mergulhei no mais profundo dos sonos. Não sei se tive sonhos ou pesadelos, sei apenas que, ao meio da noite, fui acordado por horrorosas dores no corpo todo! Dores diabólicas que nunca suspeitara podessem existir! Nesse momento compreendi por que razão o médico me tinha prescrito Dolipran, uma grama todas as oito horas! Levantei-me e alvoroçadamente tomei esse tal remédio! Momentos depois, as dores abrandaram e voltei a adormecer.
Durante catorze dias e catorze noites fui avassalado por essas dores escandalosas! Por sorte, o tratamento ajudou-me a suportar essas dores insuportáveis! Ao fim desses catorze dias, como prescrito, fui ao médico para ele me retirar os pontos do meu cotovelo, e pensei que o caso tinha ficado arrumado mas, muito pelo contrário, dores horrorosas começaram a roer-me de novo. Era domingo e quase meia-noite, e como as dores eram intoleráveis, chamei um médico de guarda, aqueles que nos socorrem quando toda a gente dorme ou foi de férias.
Esse médico, depois de lhe ter falado no meu acidente, explicou-me que as dores no corpo eram dores ósseas, que passariam com o tempo, mas, não sabendo o que fazer, chamou uma ambulância e reenviou-me novamente para esse pestilento hospital donde, duas semanas atrás, eu tinha tão alegremente saído!
Chegado às Urgências desse temido hospital, novamente me instalaram na mesma maca, nessa tenebrosa dependência onde reinavam os gemidos dos negligenciados pacientes, e a total indiferença dos enfermeiros.
Momentos depois apareceu um dos tais enfermeiros que se limitam a empurrar as macas, e acabei novamente enfiado num scanner. Depois duma rápida verificação, informaram-me que estava tudo muito bem, e devolveram-me ao breu da dependência das Urgências, sempre prisioneiro da minha maca, sem qualquer assistência!

Durante três dias e três noites aí fiquei abandonado às minhas dores, com apenas, quando eu pedia socorro, dois comprimidos para acalmar as dores. Ao fim desses três dias, depois de ter feito mais três scanners, queixei-me, que, ao menos, podiam pôr-me numa cama, num dos quartos do hospital!
Momentos depois transferiram-me para um quarto no quinto andar, partilhando com outro doente. Mas, para cúmulo da ineficácia desse hospital, o outro doente era um atrasado mental que quando ia à retrete defecava pelo chão, e limpava as mãos às paredes!
Chamei uma enfermeira e pedi-lhe que me enviasse alguém de responsável que me resolvesse esse problema! Momentos depois um médico veio visitar-me e anunciar-me que eu tinha um problema num rim e que eles não tinham serviço de Nefrologia, e que me iam transferir para um hospital em Villejuif. Eu conhecia esse hospital, quando morei nessa Vila, e que era tão pestilento como aquele onde então me encontrava. Recusei essa transferência ! Sugeriram-me então uma Clínica em Meudon Laforet, que eu bem conhecia e apreciava. Concordei, elevando as mãos aos céus!

Em boa hora cheguei a essa clínica em Meudon! Um sítio limpo e arejado, e as enfermeiras atentas constantemente aos cuidados com os seus doentes! Durante dez dias, sob morfina para aguentar as dores, fui lavado e alimentado com carinho! Não aprecio hospitais nem de clínicas, mas esta merece todo o meu respeito e admiração! Bem hajam todos aqueles que se ocupam de doentes que, para eles, não são doentes nem clientes, são pessoas!

Bem hajam todos aqueles que vieram a este mundo para fazerem o bem!

dimanche 14 mars 2010

O Regresso ao meu Antro Amado


Depois da grande surpresa de voltar a ver aquelas paredes onde fora tão feliz no passado, ainda mais surpreendido fiquei quando me levaram ao escritório do Fernando Lopes, o filho do proprietário, que era então o director da Alfa, me ter igualmente recebido de braços abertos e me ter proposto eu voltar às minhas funções de animador, com um programa diário de duas horas. Talvez mesmo, quem sabe? o regresso do a “Bica e Copo de Água”, como nos velhos tempos de outrora!

Para começar, como Meudon é bastante longe de Créteil - onde a Alfa se instalara - falou-se de eu me mudar para Créteil. Mas quando informei o Fernando Lopes das dificuldades de alugar casa, devido a esses indecentes acordos entre os Bancos e as Agências Imobiliárias, para que os alojamentos fossem vendidos e não alugados, para assim obrigar os interessados a recorrerem aos empréstimos feitos pelos Bancos, ele pediu-me para eu ir à Câmara Municipal me inscrever para obter um apartamento e que, depois, lhe trouxesse o número de meu dossier, pois que ele era muito amigo do Presidente da Câmara, e que lhe pediria para ele interceder a meu favor.

Entretanto, enquanto aguardava os resultados dos esforços do Presidente da Câmara, foi-me proposto pela Ana Bela, (que todas as sextas-feiras falava de Poesia) eu participar no seu programa. Aceitei e imediatamente comecei a sentir-me de novo de volta a casa! O Filho Pródigo que, pouco a pouco, foi destituído de quaisquer oportunidades de voltar a ser, como dantes, o menino-prodígio!

No programa “Alameda dos Poetas”, da Ana Bela Cunha, todas as sextas-feiras das 10 ao meio-dia, tudo decorreu bem! A minha voz e a maneira de ler um texto começou a ser amplamente apreciada pelo auditório, e todas as semanas se falava dum poeta português. Sua biografia e obra. Os ouvintes que gostavam de participar telefonicamente, todos se mostraram entusiastas com a novidade! Eles recitavam poemas do Poeta do Dia ou poemas de sua própria autoria e, por vezes, para minha grande surpresa, poemas meus dos meus dois livros, Sombras ou Vagas!

A busca de apartamento em Créteil foi continuada, mas sempre sem qualquer sucesso! Só havia apartamentos à venda e, no Banco, visto a minha avançada idade, um empréstimo foi-me categoricamente recusado! Do Fernando Lopes ou do Presidente da Câmara, nunca mais obtive qualquer resultado, positivo ou negativo! Parece que, segundo um boato, um dos colaboradores ou responsáveis da Alfa, fora dizer ao Fernando Lopes que “o Rogério do Carmo já deu o que tinha a dar”! E desde ai tudo ficou a nadar em seco! Naufragado em fingimentos!

Uma vez mais, como ao longo de toda a minha vida, as invejas deram à luz a não-realização dos meus projectos e sonhos demasiado altaneiros! A minha presença, como várias vezes me aconteceu na minha vida profissional, uma vez mais incomodou os que me rodeavam, e assim, uma vez mais me cortaram as asas, para que eu não voasse mais alto do que aqueles que me temiam pelo meu profissionalismo!

Frustrado, decidi contentar-me com as minhas inglórias sextas-feiras apenas! Renunciei aos meus mais caros anseios e desejos de voltar a ser quem tivera sido nessa rádio!

Para preencher um pouco o meu tempo e calar a raiva que de mim se apoderara, continuei a escrever e a publicar no Facebook, a tentar lembrar a todos aqueles que pudessem eventualmente vir a ler-me, que eu ainda, a despeito de todas as manobras para me deitarem abaixo, continuava de pé! Pois que as árvores morrem de pé, a despeito de todos os mais inclementes vendavais!

jeudi 4 mars 2010

Saudades imensas do microfone



Depois desta abominável agressão da Ameline e indiferença do Hospital Quinze-Vingts, da desprezível apatia da Justiça, dos Ministérios e Imprensa, reduzido a quase nada depois de tantas raspagens inúteis para mim, mas muito rentáveis para os cirurgiões que apenas se preocupam em preencher camas nas clínicas onde operam, e dos "dépassements d'Honoraires" de que são peritos, para aumentar os seus ganhos diários sem demasiado mexerem o cu, resolvi pôr pedra no assunto e viver o que me restava de existência o melhor possível, tomando em consideração que eu estava reduzido aos restos mortais de quem eu tinha até então sido ! Aprendi a viver com os meus insultos à dignidade masculina, como as ejaculações retrógradas e ameaças de impotência, devido àquela raspagem da próstata que me resolvera problemas físicos e criado novos e graves problemas psicológicos ! Continuar a minha vida rindo de mim e daqueles que de mim se riem! E é precisamente o que foi a minha vida até ao dia em que, exausto de não ser mais ninguém, farto de viver num apartamento que me custava os olhos da cara, decidimos mudar de casa, pois que cada vez que mudo de casa eu principio uma nova vida. Novos projectos, novas perspectivas, novas crenças no futuro!

Assim, uma bela manhã, fomos até Créteil em busca dum apartamento. Entretanto, depois dos repugnantes acordos entre os Bancos e as Agência Imobiliárias, essas nojentas manigâncias dos Bancos para encherem ainda mais as suas caixas com as economias dos outros, de obrigar as pessoas a comprarem casa, e assim nos vermos forçadas a pedir empréstimos a esses elos dessa nefasta corrente que nos enforca ! As Agências concordaram em não alugar casas, e apenas terem a propor casas para vender. Negócios abjectos entre monopolizadores que devoram tudo à sua passagem, sem dó nem piedade pelos outros! Apenas os lucros eram, foram, e sempre serão, de maior importância! Uma espécie de obsessão, de grave doença mortal, pela eterna ambição de ficarem todos os dias um pouco ou, de preferência, muito mais ricos e poderosos, para se vingarem de certas humilhações sofridas num já distante passado, do qual, agora, nós não temos culpa alguma!

A caminho de Créteil, em busca de casa, repentinamente me veio à ideia de dar um salto a Valenton, onde a Alfa se encontra instalada! Uma feroz saudade dos meus belos tempos frente a um microfone se apoderou de mim! Esses tempos em que eu, ao aperceber-me que, por detrás desse microfone se encontravam milhares de pessoas à escuta, que eu entrava em casa deles para lhes fazer companhia, estar com eles, trazer-lhes a minha grande vontade de os relembrar que o Português era a nossa língua materna, e acabar com essas misturas de Português e Francês, que resultou nessa extravagante linguagem que crismaram de "Imigrês"!

Depois de termos visitado todas as Agências Imobiliárias da cidade, chegámos à conclusão que era tempo perdido. Só casas e apartamentos à venda! Nada de aluguer! De regresso a casa, passámos por Valenton. Não resisti à tentação de ir embebedar os olhos naquela imensa fachada da minha Alfa. Ao mesmo tempo, talvez também fazer uma fotografia como recordação. Pat arrumou o carro dentro do "parking" da Alfa e eu saí do carro para, muito discretamente, fazer uma foto ou duas. Sobretudo eu não queria que ninguém notasse que eu tinha ali voltado sem ter sido convidado. Por acaso, o Paulo, um dos meus antigos colegas, estava a fumar um cigarro à porta, reconheceu-me ! Fez-me sinal para que eu me aproximasse. Hesitei, mas ele tanto insistiu que não resisti ao desejo enorme de lhe dar um grande abraço e talvez, discretamente, acariciar aquela parede contra a qual ele se apoiava. Depois desse curto abraço Paulo convidou-me a subir para me mostrar os progressos tecnológicos que a radio tinha sofrido e, ao mesmo tempo, dar um abraço à "malta"! Como uma donzela virgem com medo de ser violada, resisti, mas bem no fundo eu estava morto por subir e perder de novo a virginade e matar saudades de tudo e de todos.

Galguei as escadas a quatro e quatro, tão ansioso estava de rever os meus domínios de outros tempos! De rever a malta toda! Logo à entrada verifiquei que tinham havido muitas modificações! A pequena dependência que tinha sido o meu escritório com a Cássia, era agora uma pequena cabine de som, e a grande dependência mesmo ao lado, que outrora fora o espaçoso escritório da doutora, era agora um estúdio com uma grande mesa oval com muitos microfones à volta, para quando, deduzi, tivessem muitos convidados a fazerem algum muito importante debate! A primeira pessoa que procurei ver, foi o Fernando! E ele lá estava no seu pequeno mundo de computadores. Ao ver-me ele abriu-me os braços, e era evidente a alegria que ele sentiu ao ver-me, depois de 12 anos de separação. O Artur, ao topar-me, deu-me um abraço tão apertado que quase me quebrou o esqueleto! Depois vieram caras novas que nunca tinha visto antes!