mercredi 11 novembre 2009

Amizades Sempre Crescentes


Também algumas vezes íamos descançar as pernas no Primrose Hill Park. Em Chalk Farm Hella ousava mostrar-se em público na companhia de Mahmoud. Belas tardes lá passámos! Hella aprendeu a tomar um lugar muito especial na minha vida e no meu coração. Desses tempos conservo recordações que o tempo nunca conseguirá jamais apagar da minha memória, enquanto memória houver!

Começo duma Estabildade
















Pat rapidamente encontrou emprego. Um bom emprego na B.B.C. ali a Portland Place, muito perto do Berners, no “Buying Department”. Ele gostava do trabalho que lhe fora atribuído e era relativamente bem pago. A nossa vida em comum começou gradualmente a tornar-se num agradável dia-a-dia como viagem de núpcias. A Hella e Mahmoud também lá gozavam a sua aberta lua de mel longe dos olhos que pudessem desvendar o seu segredo racial. Muitas vezes nous reunimos para saídas à noite para ver um filme ou uma peça de teatro, ali para os lados de Picadilly Circus.

mardi 10 novembre 2009

Tinha de Acontecer!
















Pat voltou para mais um fim de semana. Deu grandes voltas por Londres mas mesmo assim passámos boas horas de excitante intimidade. Dessa sua segunda visita ele propos-me deixar o seu emprego em Chelmsford e vir para Londres pocurar trabalho para ficar mais perto de mim e afastar-se duma rotina provincial demasiado limitada para o seu gosto. Concordei com ele, pois que já começava a sentir-me bastante afeiçoado à sua doce pessoa e maravilhoso corpo de marfim que eu tanto gostava de ter sob o meu sempre a rebentar de sensualidade e desejo de o sentir por dentro. Penetrar aquele corpo branco e submisso começou a ser para mim uma imperiosa necessida física. Tê-lo todo só para mim, para assim esquecer certas perdas como foram perder o Melo, O Robin e, muito recentemente, o Johnny! Mas eu continuava sempre prisioneiro do meu anseio de fundar uma família e consentir que o Pat viesse viver comigo era um perigo fatal. Tão obsecado andava que, um dia, vou solicitar a ajuda do Dr. Tom, ali mesmo em frente do Parque. Haveriam por acaso algumas possibilidades de, com ajuda médical que me ajudasse a contrariar as minhas tendências sexuais, aquela minha atracção incontrolável de desejar o mesmo sexo, quando eu queria ser como todos os demais: casar com uma mulher que seria a minha companheira para a vida e a mãe dos meus filhos, a minha descendência! Dr. Tom explicou-me que as tendências sexuais de cada um eram genéticas, que eram as hormonas masculinas e femininas que nos correm nas veias que decidem. Que se comem umas às outras e, assim, as mais glutonas, são aquelas que determinam a nossa sexualidade. Que eu tentasse ser bissexual, que era a melhor solução. Que era o seu caso! Que era casado e tinha dois filhos, mas que também se sentiam atrído por rapazes jovens e bonitos como eu! Espantado com aquela inesperada confissão, olhei-o naquela pontinha de língua espreitando ao canto daquela boca sensualíssima, aqueles olhos muito azuis e insidiosos, aquelas têmporas grisalhas, aquelas mãos muito brancas onde luzia uma pesada aliança de ouro maciço a lembrar-me que estava em face dum homem casado com dois filhos - o meu mais recôndito fantasma - a fazer-me ambíguas propostas e, claro, não resisti! O resto dessa consulta pode muito facilmente ser conjecturado!

Assim, Pat, uma bela manhã de Sábado, aparece-me com a sua pesada malona. Casámos os dois divãs para que os nossos corpos também se pudessem casar sempre que o meu assíduo desejo me assomava. Organizámos o nossso estúdio o melhor que pudémos. Havia bastante espaço. A nossa cama recem casada perto duma das largas janelas e, junto à outra janela gémea, a pequena mesa redonda com quatro cadeiras à volta e, claro, ao centro dessa mesa, um naperon redondo que eu tinha feito, com um jarrão atafulhado de flores naturais que eu comprava na loja de frutos e legumes, ali na Regents Park Road que pertencia a um simpático casal de sul-africano que, 30 anos mais tarde, quando passei à sua porta, ainda me reconheceram! Tínhamos um grande guarda-roupa e uma kitchinette com o seu lavabo com torneiras de água quente e fria, que nos vinha dum pequeno esquentador aparafusado à parede. Como a retrete a casa de banho se encontravam no patamer do andar superior, eu tinha, por perguiça, o hábito de urinar no lavabo com a torneira de água fria generosamente aberta. Pat não apreciava este meu luxo e andava sempre a pedir-me para não fazer, mas era mais forte do que eu! A retrete e casa de banho estava quase sempre ocupada e quando a bexiga apitava, eu vinha a correr para casa para ela se despejar. Um dia ele, muito danado, disse-me:

- Robi! How many more times do I have to ask you not to piss in the sink!

Ao qual eu respondi:

- I know you would rather see me sinking in the piss!

Este pequeno incidente é frequentemente relembrado sempre com uma gargalhada! Foi nesse dia que o Pat se apercebeu como eu sempre gosto de brincar com as palavras. Ainda hoje falámos nisso!

Eu e o Pat palmilhávamos a Ainger Road até à Primrose Hill Road onde nos bastava atravessar a rua para entramos no esplendoroso Primrose Hill Park para apanharmos um pouco de sol, quando o havia. Era nesse parque que, estendidos sobre a relva, víamos o mundo passar. Haviam sempre magotes de crianças que corriam dum lado para o outro atrás duma bola e casais de mãos dadas aos beijinhos pouco discretos. Haviam também os belos adolescentes que mal havia um raio de sol iam a correr a casa vestir calções para mostrarem as suas pálidas coxas que, por vezes me dava vontade de os convidar a vir tomar um chá no nosso estúdio. Curiosamente, eu tornei-me muito possessivo sobre o Pat, como se ele fosse propriedade minha que ninguém podia tocar, mas eu continuava a ser a mesma cabeça de vento que queria apanhar todas essas belas borboleta que ousassem esvoaçar à minha volta.

lundi 9 novembre 2009

Sonho Acordado?
















Ao apontar-lhe as escadas, para que subisse, novamente aquele estranho pensamento atravessou a minha mente: Não mereces tanto!

Chegados ao meu segundo andar a porta estava escancarada e ele, sem dizer uma palavra e entrou. Fechei a porta e indiquei-lhe o divã que fazia de canapé. Ele despiu o seu blusão que pouso sobre o meu dedo espetado e acomodou-se. Perguntei-lhe o que queria tomar. Pediu-me um chá! Preparei-lhe esse bem britânico “mata-sede”, acompanhado duns biscoitos. Acompanhei-o nessa primeira chazada de milhares doutras por vir! Sentado a seu lado, fiz-lhe algumas perguntas às quais ele respondeu com vagas evasivas. Ele era, logo me apercebi, tremendamente tímido, ou estava pouco à vontade com a sorte que o esperava. Depois do cházinho, morto como eu estava de não esperar mais para dar largas à minha fome mergulhei a minha boca naquela sua sensualíssima boca tão ávida da minha como eu da sua! Esse correspondido beijo repetiu-se e prolongou-se para além do tempo, como se o tempo tivesse parado ou tivesse perdido o seu valor. Foi como que se me tivesse apoderado duma verdejante quinta depois de ter saltado o muro! Corri entre as leiras e as papoilas despindo aquele belo corpo muito branco, quase virgem, e o meu arado lavrou aquele corpo ansioso do meu dentro do dele! Depois da sementeira acabada vestimo-nos antes que a chuva começasse a cair para regar a semente que acabava de ser lançada à terra fecunda duma vida a despontar!

Depois da nossa primeira entrega, conversámos, ou melhor, conversei. Soube, mesmo assim, que ele vivia e trabalhava em Essex, numa vila chamada Braintree, que ainda vivia com os pais, e que trabalhava em Chelmsford como assistente num colégio e que muito gostaria de vir trabalhar para Londres e tornar-se independente da família e fugir à rotina duma vila provincial onde muito pouco acontecia.

Depois de mais um chá preparou-se para regressar a casa, pois que não queria perder o último autocarro de Chelmsford para Braintree. Desta vez acompanhei-o até à estação de Metro (Tube) de Chalk Farm. Quando ele picou o seu bilhete antes de descer para a plataforma onde apanharia o seu comboio que o levasse até Liverpol Street onde apanharia outro comboio que o levaria até Chelmsford onde, então, apanharia o autocarro para Braintree, onde viviam os seus pais. Disse-lhe adeus e, na minha mente, novamente aquela me segredou que Pat, como lhe chamavam em família, merecia alguém melhor do que eu e que, certamente desapontado com as poucas horas que passámos juntos, nunca mais voltaria a Chalk Farm e, pior ainda, aos meus braços onde, apenas essas poucas horas, fora meu prisioneiro!

O ansiado fim de semana chegou!










Organizei-me para estar livre nesse tão desejado fim de semana. Miss Pollack aprontou-se a facilitar-me a vida, e arranjou-se de forma a ter quem me substituisse.

Nesse Sábado de manhã fiz muito bem a barba, tomei um grande banho, e fiz-me o mais bonito possível. Vesti as minhas mais bonitas roupas que pusessem em destaque o meu belo jovem corpo de então, pus as minhas lentes de contacto, e preparei-me para viver mais uma outra aventura dum fugidio fim de semana com alguém que estaria apenas de passagem na minha vida!

Depois do pequeno almoço arrumei um pouco a casa e, à hora marcada pus-me à janela a ver quem chegaria ali a dobrar a esquina entre a Regent e a Erskine Road! Decidira estar em casa para o receber, pois que ele tinha a morada certa. Se eu tivesse ido à estação esperá-lo, receara não nos encontrarmos naquela balbúrdia de gente que, aos empurrões, entrava e saía a cada vez que um comboio chegava para logo a seguir viagem! Explicara-lhe por carta que lhe bastava, chegado a Chalk Farm, onde haviam duas saídas, de tomar a saída à esquerda que dava para o grande teatro "The Round House" e, então, virar à direita e atravessar a ponte sobre os caminhos de ferro e que, depois da ponte, era logo a segunda rua à direita, e eu lá estaria à janela à sua espera!

Esperei-o longamente à janela, olhando constantemenet aquela esquina onde ele surgiria ante os meus olhos pela primeira vez na vida. Por sorte estava um dia bonito e o estar à janela, ansioso de ter carne fresca entregue ao domicílio, era como uma dádiva vinda do dos contrafundos da sorte grande!

Fixando a esquina, repentinamente vi surgir um jovem duma beleza divinal! Ainda me lembro, quando ele me acenou da rua, de dizer a mim mesmo:

- Ò boy! You do not deserve so much! He is an angel fallen from the sky!

Desci a escada a correr e ao abrir a porta, ele ali estava, esse anjo que me tinha caído do céu!

Patrick James - For Ever After!











A minha rotina no Berners começou a gradualmente entrar nas calhas! Como habitualmente me acontecia, nunca me foi difícil ou penoso adaptar-me aos sítios e pessoas que me tinham sido destinados. Miss Pollack pouco a pouco me aceitou como um jovem macho atrás do qual as minhas jovem colegas me faziam olhinhos ternos. A única coisa que a magoava no seu amor próprio era o facto de ela apenas falar Inglês e eu falava sete línguas. Muito frequentemente ela se via obrigada a recorrer aos meus serviços para a tirar de embaraços. Mr. Wood começou a demonstrar uma certa admiração pela minha pessoa por eu ser um desenrascado. Não haviam problemas que eu não conseguisse solucionar sem a ajuda de ninguém, muito menos a Miss Pollack! Assim como a popularidade que começou a bafejar-me perante os hóspedes e o pessoal. Hella dava um salto à recepção sempre que podia para não esquecer o seu Hebraico. A sectretária do Mr. Wood, Mrs. Sellar, era um amor! Nunca perdia uma ocasião para me dizer que eu era um óptimo profissional, e que a Miss Pollack estava satisfeita com a minha participação nas suas responsabilidades! Mesmo ao lado da recepção havia a Cashier, uma moça muito bonita que começou a fazer-me a corte. Um dia ela espirrou e eu, cá de longe, disse-lhe: “bless you”! Mas ela não agradeceu! A segunda vez que ela espirrou novamente lhe disse: “bless you”! e ela não acusou a recepção dos meus votos! À terceira vez que ela voltou a espirrar eu disse-lhe: “fuck you”! E ela respondeu-me: Thank you! Miss Pollack, a despeito da sua grande classe, olhou-me com um discreto malicioso sorriso e sussurrou: How dare you?!

No meu pequeno apartamento eu sentia-me em casa e comecei a afeiçoar-me muito aquele cantinho onde eu podia estar em sossego lendo um bom livro ou vendo um programa na televisão, pois que tinha alugado uma, coisa então muito praticada em Inglaterra. Os programas eram duma qualidade excepcional e era realmente uma grande companhia! Por vezes tinha de aguardar as páginas de publicidade para me levantar e ir preparar-me um bom café!

O meu comilão de Golders Green deixou de aparecer e, uma noite, em vez de ver televisão, fui consultar os meus papéis em busca de moradas doutros correspondentes meus da Hermes que vivessem em Inglaterra. O Johnny fora posto de parte, para meu grande pesar, o Golders Green matava-me com fomes de canibal e ainda por cima, aparentemente, já tinha enchido a barriguinha! Nessa papelada toda encontrei um outro que se chamava Patrcick James, mas que vivia longe de Londres. Fiz uma minuciosa radiografia à sua foto e esbarrei com a sua bonita mão apoiado no tronco dessa árvore. Essa mão encantou-me! Sempre gostei de mãos de homem! As dele eram brancas e os seus dedos muito longos. A sua face também imanava uma doçura muito especial. Enviei-lhe uma curta carta a informá-lo que tinha chegado e que vivia em Chalk Farm. Essa carta foi respondida na volta do correio, pedindo-me autorização de vir passar um Sábado comigo. Claro que a minha resposta também foi na volta do correio: As soon as you can!

Algo no meu corpo andava a morrer de fome! Tinha uma vizinha portuguesa que morava por baixo de mim - a Maria Emília - que muito queria meter-se debaixo de mim, mas eu, claro, preferiria o seu namorado, um bonito jovem inglês chamado Nicky, que era belo como um grego, que também me fazia olhinhos. O meu faminto contrapeso andava a badalar-me entre as pernas a mendigar-me a esmola dum bom “saltar o muro”! Por essa e muitas outras razões, Patrick James era muito bem-vindo! Outra carta vinda da sua parte, dizendo-me que viria passar o próximo Sábada comigo ainda me alumiou mais a minha pobre lamparina que ameaçava deitar-me fogo à barraca! Enfim, eu ia poder inaugurar a minha cama de casal ali no segundo andar da Erskine Road! Eureka! Adeus Golders Green que se rendia logo à entrada da porta, saltando para o divã da sala alegando que era muito “mais chegadinhos” e sem perda de tempo! Tempo, neste caso não era dinheiro, eram contínuas jorradas!

dimanche 8 novembre 2009

O Berners Hotel e Miss Pollack!








Hella veio jantar nessa noite. Ficou encantada com o meu apartamento! Que precisava dum ninho assim para ela e o Mahmoud, que andavam sempre em encontros furtuitos e às escondidas de todos! Que tinha deixado Israel para poder viver o seu romance com um palestiniano, pois que em Israel, uma judia andar com um árabe era um pecado mortal, uma afronta ao país e às tradições judaicas! Que mesmo no hotel todo o cuidado era pouco!

Falámos dos nossos belos tempos do Tadmor e tantas coisas mais! Até gostou do jantar que eu tinha improvisado e que foi servido na pequena mesa redonda da pequena sala. Falou-me também do que era trabalhar no Berners Hotel. Que miss Pollack era uma frustrada virgem que nunca teve a coragem de provar os grandes prazeres duma cama a dois! Que ela fazia a vida negra a toda a gente no hotel, não apenas aos que para ela trabalhavam na recepção, que era o seu reino, e que o seu reinado já durava há tantos anos como fora o da Raínha Vitória! Que me pusesse a pau com ela, que ela não gostava de homens, muito menos sob a sua alçada! Passámos esse serão juntos até muito tarde! Quando demos por ela já passava da meia-noite! Hella decidiu apanhar um táxi mas eu propus-lhe ela passar a noite em minha casa, naquele pequeno divã na sala, que eu transformei em modesta alcova.

No outro dia de manhã, como ambos tínhamos de estar a postos às sete da manhã, pusémos o despertador para as seis e quando ele nos acordou ambos saltámos da cama. Hella não quis pequeno almoço, que o tomaríamos no hotel. Apenas tomámos um café com leite para podermos fumar um cigarro. Pediu-me para vestir calças pretas, camisa branca, e gravata preta, que o casaco seria o que o hotel fornecia. Apanhámos o Metro (o Tube) em Chalk Farm e daí, linha directa até Tottenham Court Road, a dois passos do Berners. Chegados ao hotel Hella foi comigo ver a costureira do hotel que se encarregava das fardas. Como não tinha calças pretas, mas sim cinzentas escuras, ela tirou-me as medidas para me fazer calças pretas ao meu tamanho. Depois de fardado fomos tomar o pequeno almoço ao restaurante dos hóspedos, visto sermos “high-staff”! Adorei aquele pequeno almoço observando as pessoas através das cortinas da janela passando como fantasmas ambulantes na velha Berners Street. Às sete em ponto estava na recepção. Miss Pollack já tinha chegado. Estava ocupadíssima com as reservas do dia, alojando os futuros hóspedos nos quartos adquados. Quando me viu nem “good morning” me deu! Apenas que as minhas calças não eram pretas! Depois de lhe ter explicado que as minhas calças estariam prontas dentro de dois dias, ela afundou-se de novo no seu trabalho e deixou-me à balda sem saber o que fazer. Quando lhe perguntei como lhe podia ser útil, ela responde-me que eu era um diplomado, que sabia muito bem o que se fazia numa recepção. Por fim deu-me algumas intruções para eu me ocupar. Triavilidades! Preparei-me para ter muitas turras com essa senhora que parecia detestar toda a gente! O que me valeu foram os bellboys e outros funcionários que me vieram cumprimentar e desejar-me pachorra com Miss Pollack, que ela era uma cadela que só mordia nos que não se podiam defender. Que ela precisava dum açaime! A minha resposta imediata foi que cá por mim ela vinha de carrinho, que se ela me mordesse eu também tinha os dentes bem afiadinhos e prontos a entrar em acção! E foi o que viria a acontecer!